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Uso frequente de inteligência artificial é estudado por pesquisadores por possíveis impactos no cérebro

Estudos começam a investigar como o uso intenso de ferramentas de inteligência artificial pode influenciar memória, raciocínio e relações sociais

O avanço da inteligência artificial já mudou a forma como muitas pessoas trabalham, estudam e buscam informações. Agora, pesquisadores também estão investigando uma questão cada vez mais presente: o uso frequente dessas ferramentas pode alterar a maneira como o cérebro funciona?

Pesquisas recentes indicam que os efeitos podem depender principalmente da forma como a inteligência artificial é utilizada. Chatbots, por exemplo, podem proporcionar alívio momentâneo para sentimentos como ansiedade e solidão. Por outro lado, o uso excessivo ou uma dependência emocional da tecnologia podem estar relacionados a maior isolamento e redução das interações sociais.

Na área cognitiva, um estudo conduzido por pesquisadores do MIT e da OpenAI comparou estudantes que realizaram atividades de produção de textos utilizando inteligência artificial, mecanismos de busca ou apenas seus próprios conhecimentos e raciocínio.

Os participantes que recorreram à inteligência artificial apresentaram, durante a tarefa, menor conectividade cerebral e tiveram mais dificuldade para lembrar o conteúdo que haviam produzido. Os pesquisadores utilizaram o termo “dívida cognitiva” para descrever esse possível efeito.

É importante destacar, porém, que os resultados ainda precisam ser analisados com cautela. O estudo é um pré-print, ou seja, ainda não passou pelo processo de revisão por pares, etapa importante para avaliar a metodologia e a consistência das conclusões.

Isso significa que ainda não é possível afirmar que o uso da inteligência artificial cause danos ao cérebro. A pesquisa representa uma etapa inicial de uma discussão que deverá ganhar cada vez mais importância à medida que essas tecnologias se tornam presentes na rotina.

Especialistas defendem que uma das melhores formas de utilizar a inteligência artificial é como ferramenta de apoio, e não como substituta do pensamento humano. Antes de recorrer à tecnologia, tentar raciocinar, lembrar e elaborar uma resposta por conta própria pode ajudar a preservar o exercício dessas capacidades.

A inteligência artificial pode ampliar nossa capacidade de aprender e produzir, mas o desafio está em encontrar um equilíbrio para que a tecnologia facilite o nosso trabalho sem substituir o pensamento, a memória e as relações humanas.

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