O sonambulismo é um dos distúrbios do sono mais conhecidos, mas ainda desperta muitas dúvidas. A condição ganhou destaque recentemente após ser lembrado que o ex-jogador Pelé conviveu com episódios durante a vida. Apesar de parecer incomum, o problema é relativamente frequente, principalmente na infância, e costuma ocorrer durante o sono profundo.
O que é o sonambulismo?
O sonambulismo acontece quando a pessoa desperta parcialmente durante o sono, mas o cérebro ainda permanece em um estado de sono profundo. Nesse momento, ela pode realizar movimentos automáticos sem estar consciente do que faz.
Entre os comportamentos mais comuns estão:
- Levantar da cama;
- Caminhar pela casa;
- Abrir portas e janelas;
- Mexer em objetos;
- Executar tarefas simples.
Na maioria dos casos, ao acordar pela manhã, a pessoa não se lembra de absolutamente nada do episódio.
Por que isso acontece?
Especialistas explicam que o sonambulismo ocorre durante a fase do sono não REM, especialmente no sono profundo. Trata-se de uma parassonia, nome dado aos comportamentos anormais que acontecem enquanto a pessoa está dormindo.
Embora exista uma predisposição genética, normalmente os episódios são desencadeados por fatores que prejudicam a qualidade do sono, como:
- Privação de sono;
- Estresse físico ou emocional;
- Febre;
- Uso de alguns medicamentos;
- Consumo de álcool ou outras drogas;
- Distúrbios do sono, como a apneia obstrutiva.
Crianças são as mais afetadas
O sonambulismo é muito mais comum durante a infância, período em que o sistema nervoso ainda está em desenvolvimento. Com o crescimento, a maioria das crianças deixa de apresentar os episódios naturalmente.
Quando o problema surge na vida adulta ou passa a ocorrer com frequência, é importante procurar avaliação médica para investigar possíveis causas associadas.
Quais são os riscos?
Na maior parte das vezes, o episódio termina sem maiores consequências. O maior perigo, porém, está nos acidentes.
Como o sonâmbulo não percebe o ambiente ao redor, ele pode:
- Cair de escadas;
- Tropeçar em móveis;
- Se machucar com objetos cortantes;
- Sair de casa sem perceber;
- Colocar a própria segurança em risco.
Deve acordar um sonâmbulo?
Essa é uma das maiores dúvidas sobre o assunto.
Segundo especialistas, o ideal é não acordar bruscamente a pessoa. Como o cérebro ainda está em sono profundo, ela pode despertar bastante confusa, desorientada e até assustada.
A orientação é conduzi-la com calma de volta à cama, sempre priorizando sua segurança e evitando acidentes.
Existe tratamento?
Nem todo caso precisa de medicamentos.
Quando os episódios são raros e não oferecem riscos, normalmente basta melhorar os hábitos de sono, reduzir o estresse e tratar possíveis fatores desencadeantes.
Nos casos mais frequentes ou perigosos, o médico especialista em medicina do sono poderá indicar exames e, quando necessário, tratamento específico para controlar os episódios.
Dormir bem continua sendo a melhor prevenção
Manter horários regulares para dormir, evitar noites mal dormidas, controlar o estresse e tratar distúrbios como a apneia do sono ajudam a reduzir significativamente a ocorrência do sonambulismo.
Embora possa assustar familiares, o sonambulismo geralmente tem controle quando identificado corretamente e acompanhado por um profissional especializado.

