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Uso precoce de redes sociais pode afetar desempenho escolar, aponta estudo

Pesquisa publicada na revista científica Nature acompanhou mais de cinco mil estudantes e identificou desempenho inferior entre jovens que começaram a utilizar redes sociais mais cedo

O uso de redes sociais durante a infância pode estar associado a um desempenho escolar inferior. É o que aponta um estudo publicado na revista científica Nature, que acompanhou mais de cinco mil estudantes italianos e analisou a relação entre a idade de entrada nas plataformas digitais e os resultados acadêmicos.

De acordo com a pesquisa, estudantes que criaram perfis em redes sociais entre os 11 e 12 anos apresentaram notas mais baixas em disciplinas como italiano e matemática quando comparados aos jovens que começaram a utilizar essas plataformas somente aos 14 anos.

Os pesquisadores estimam que essa diferença de desempenho pode representar aproximadamente seis meses de aprendizado até os 15 ou 16 anos de idade.

O estudo também identificou que crianças e adolescentes que consultam o celular com maior frequência e que contam com menor supervisão dos pais tendem a apresentar resultados escolares inferiores.

Apesar dos resultados, os autores fazem uma ressalva importante: a pesquisa é observacional e, portanto, não permite afirmar que o uso precoce das redes sociais seja diretamente responsável pela queda no desempenho escolar. Outros fatores também podem influenciar os resultados.

Cenário preocupa no Brasil

Os dados também chamam a atenção para a realidade brasileira. Segundo informações citadas no estudo, 79% das crianças de até 12 anos já possuem perfil em redes sociais. Entre adolescentes de 13 e 14 anos, o percentual chega a 91%.

Especialistas e pesquisadores defendem que o tema deve ser acompanhado de perto por famílias e escolas, principalmente diante do tempo cada vez maior que crianças e adolescentes passam conectados.

A recomendação é que o uso de celulares e redes sociais seja acompanhado pelos responsáveis, com definição de limites e atenção para que o tempo dedicado às plataformas digitais não prejudique atividades importantes, como estudos, sono, convivência familiar e outras formas de lazer.

O estudo reforça, assim, a necessidade de ampliar o debate sobre o uso responsável da tecnologia durante a infância e a adolescência, especialmente em uma época em que o acesso às redes sociais ocorre cada vez mais cedo.

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