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APER divulga moção de repúdio ao PL 1702/2019 e critica cobrança de 7,5% de royalties sobre sementes

A Associação dos Produtores e Empresários Rurais (APER) tornou pública uma Moção de Repúdio ao Projeto de Lei nº 1702/2019, que propõe alterações na Lei de Proteção de Cultivares (Lei nº 9.456/1997), além de se posicionar contrária à cobrança de 7,5% de royalties sobre sementes.

O documento, assinado pelo presidente da entidade, Arlei Romeiro, foi publicado em Porto Alegre no dia 17 de fevereiro de 2026. A manifestação expressa preocupação com os impactos econômicos e estruturais das mudanças propostas para o setor produtivo rural, especialmente no Rio Grande do Sul.

O que propõe o PL 1702/2019

O Projeto de Lei nº 1702/2019 trata de alterações na legislação que regula os direitos sobre cultivares — variedades de plantas desenvolvidas por melhoristas e empresas de sementes.

Segundo a APER, os principais pontos de preocupação são:

  • Restrição ao direito do produtor de reservar sementes para uso próprio;
  • Ampliação do prazo de proteção das cultivares;
  • Possível ampliação da cobrança de royalties;
  • Fortalecimento de mecanismos de fiscalização com caráter punitivo.

Para a entidade, as mudanças podem gerar desequilíbrio contratual entre obtentores e produtores rurais, concentrando poder econômico e elevando custos no campo.

Royalties de 7,5%: impacto direto no custo de produção

A moção também critica a imposição de royalties no patamar de 7,5% sobre a produção, percentual considerado economicamente inviável.

De acordo com o texto divulgado pela APER, a cobrança nesse nível:

  • Eleva diretamente o custo de produção;
  • Reduz a margem já comprimida do produtor;
  • Amplia o endividamento no campo;
  • Compromete a competitividade do agronegócio brasileiro.

A entidade ressalta que o setor enfrenta um cenário de insegurança climática, dificuldades de crédito, juros elevados e endividamento estrutural, o que torna qualquer aumento de custo ainda mais sensível.

Defesa da soberania produtiva

No documento, a APER sustenta que o Brasil consolidou sua posição como potência agrícola com base na livre iniciativa, segurança jurídica, equilíbrio contratual e estímulo à produção.

Para a entidade, alterações legislativas que concentrem poder econômico em detrimento do produtor comprometem a soberania produtiva nacional e fragilizam a base do setor agropecuário.

Encaminhamentos

Na deliberação final, a APER:

  1. Manifesta repúdio ao PL 1702/2019 nos termos atualmente propostos;
  2. Repudia a cobrança de royalties no patamar de 7,5%;
  3. Solicita aos deputados federais e senadores que rejeitem o projeto ou promovam profunda revisão;
  4. Reafirma a defesa do produtor rural brasileiro.

A moção foi encaminhada à Câmara dos Deputados, ao Senado Federal e aos órgãos competentes.

Declaração do presidente à Rádio 98.3 FM

Em conversa por telefone com o comunicador Rafael Prates, da Rádio 98.3 FM, o presidente da APER detalhou os desdobramentos envolvendo o PL 1702/2019.

Segundo ele, após a divulgação da nota de repúdio, a entidade recebeu a informação de que o projeto — de autoria do deputado federal Giovani Cherini e com substitutivo relatado pelo deputado Alceu Moreira — não deve mais tramitar.

De acordo com o dirigente, a Frente Parlamentar da Agropecuária e o Instituto Pensar Agropecuária (IPA) teriam fechado posição para que a proposta não avance no Congresso.

Ele afirmou que existem mecanismos para que o projeto seja definitivamente arquivado, já que, na avaliação da entidade, o texto não atende aos interesses do setor produtivo do Rio Grande do Sul. Também destacou a expectativa de atuação firme dos representantes gaúchos para consolidar esse entendimento.

“Não queremos correr o risco de dormir com uma lei e acordar com outra”, afirmou, ao reforçar a preocupação com possíveis mudanças que impactem diretamente o campo.

O presidente avaliou ainda que o recuo representa uma vitória importante, resultado da mobilização conjunta entre APER, Aprosoja Rio Grande do Sul e outras lideranças do setor. Segundo ele, houve compreensão de que a proposta não contemplava a realidade produtiva do Estado, distinta de outras regiões do país.

Em um primeiro momento, conforme destacou, foi possível barrar o avanço da matéria — sinalização considerada positiva para todo o setor produtivo gaúcho.

O tema deve seguir gerando debate no Congresso Nacional, diante da relevância do agronegócio para a economia brasileira e da sensibilidade envolvendo direitos de obtentores e custos de produção no campo.

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