A Câmara Municipal realizou, na noite desta segunda-feira (11), uma audiência pública para debater as condições de trabalho e o possível fim da escala 6×1. O encontro foi promovido pela Comissão de Patrimônio e Desenvolvimento Urbano e do Interior (CPDUI) e reuniu representantes de entidades sindicais, empresariais e órgãos públicos.
Atualmente em debate no Congresso Nacional, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) prevê alterações na jornada de trabalho, com possibilidade de adoção da escala 5×2. O relator da matéria, deputado Léo Prates, informou que a proposta poderá ser votada ainda neste mês de maio.
Participaram da audiência o superintendente do Ministério do Trabalho no Rio Grande do Sul, Claudir Nespolo; o diretor da CUT Regional Planalto, Dário Delavy; o presidente do Sincogêneros, Celso Marcolan; a procuradora do Ministério Público do Trabalho, Larissa Menini Alforo; e o dirigente do Sindicato dos Comerciários de Passo Fundo e Região, Tarciel Silva.
A reunião foi aberta pelo presidente da Câmara, vereador Luizinho Valendorf (PSDB), e conduzida pela vice-presidente da CPDUI, vereadora Eva Valéria Lorenzato (PT), autora da proposta da audiência pública.
Durante sua manifestação, Eva destacou que o debate vai além da legislação trabalhista e envolve diretamente a qualidade de vida da população.
Segundo a parlamentar, no modelo atual, muitos trabalhadores acabam utilizando o único dia de folga para resolver compromissos domésticos e financeiros, reduzindo o tempo destinado ao lazer, à convivência familiar e ao bem-estar.
Já o presidente do Sincogêneros, Celso Marcolan, afirmou que o setor ainda aguarda definições sobre a proposta e demonstrou preocupação com possíveis impactos econômicos. Conforme ele, segmentos como supermercados poderiam enfrentar dificuldades operacionais devido à natureza perecível de produtos como panificados, carnes e hortifrutigranjeiros.
Representando o Sindicato dos Comerciários de Passo Fundo e Região, Tarciel Silva posicionou-se contrário à escala 6×1. Ele argumentou que o modelo compromete a convivência familiar e pode causar prejuízos à saúde física e mental dos trabalhadores.
O superintendente do Ministério do Trabalho no Rio Grande do Sul, Claudir Nespolo, também defendeu a implantação da escala 5×2 com redução da jornada de trabalho. Segundo ele, o aumento da produtividade registrado nos últimos anos deve ser acompanhado por uma distribuição mais equilibrada das condições de trabalho.
Também acompanharam a audiência os vereadores Cláudio Luiz Rufa Soldá (Progressistas), Edgar Gomes (PSDB), Edson Nascimento (Progressistas), Felipe Manfroi (PSD), Gio Krug (PSD), Iriel Sachet (Podemos) e Regina Costa dos Santos (PDT).

