Projeto de grande escala em arrozais do RS busca reduzir emissões de carbono
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Iniciativa poderá alcançar mais de 200 mil hectares de lavouras e combina redução de metano com técnicas de remoção de carbono da atmosfera

Um grande projeto ambiental envolvendo a produção de arroz está sendo desenvolvido no Rio Grande do Sul com o objetivo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e ampliar a retirada de carbono da atmosfera.

A iniciativa é liderada pela empresa Terradot, em parceria com o Google, e poderá alcançar mais de 200 mil hectares de lavouras de arroz no estado.

Uma das principais estratégias previstas é a adoção do sistema de umedecimento e secagem alternados dos arrozais, conhecido como manejo AWD. A técnica consiste em alternar períodos de irrigação com períodos de secagem controlada da lavoura.

Além de reduzir o consumo de água, esse manejo pode diminuir a formação e a emissão de metano, um dos principais gases de efeito estufa associados ao cultivo de arroz irrigado.

Rochas trituradas também serão utilizadas

O projeto prevê ainda o uso de rochas trituradas nas áreas agrícolas. A técnica, conhecida como intemperismo acelerado de rochas, busca acelerar um processo natural de absorção de dióxido de carbono.

Quando determinados minerais presentes nas rochas entram em contato com água e dióxido de carbono, ocorrem reações químicas que podem contribuir para a remoção do carbono da atmosfera. A proposta é utilizar esse processo em escala agrícola e acompanhar seus resultados.

Meta é chegar a 1 milhão de toneladas de carbono

De acordo com as informações divulgadas sobre a iniciativa, a meta é alcançar um impacto equivalente à remoção de 1 milhão de toneladas de carbono até 2030.

O projeto terá como foco inicial o Rio Grande do Sul, mas existe a possibilidade de expansão para outras regiões produtoras de arroz do Brasil.

Segundo a Terradot, a iniciativa é considerada o maior projeto de intemperismo acelerado de rochas do mundo, ao combinar a tecnologia de remoção de carbono com ações para reduzir as emissões de metano provenientes do cultivo de arroz.

Tecnologia e agricultura

A iniciativa reúne duas estratégias diferentes de enfrentamento das mudanças climáticas: a redução das emissões na própria produção agrícola e a remoção de carbono já presente na atmosfera.

Para os produtores, a adoção de novas técnicas também pode representar mudanças no manejo das lavouras, especialmente em relação ao uso da água e ao acompanhamento das condições do solo.

O projeto ainda deverá ser acompanhado para avaliar os resultados ambientais, agrícolas e econômicos das tecnologias aplicadas em larga escala.

A expectativa é que a experiência desenvolvida no Rio Grande do Sul possa gerar dados e conhecimento para ampliar o uso de práticas de agricultura de baixo carbono em outras regiões produtoras.