Eventos extremos mais frequentes, prejuízos bilionários e mudanças na produção agrícola já colocam as mudanças climáticas como um dos principais desafios econômicos de Santa Catarina. O tema, que antes era tratado como preocupação futura, passou a ocupar o centro dos debates sobre desenvolvimento no estado.
Um exemplo disso é o XVIII Encontro de Economia Catarinense, que será realizado em Chapecó, no Oeste do estado, e terá como tema central os “Desafios Climáticos e Sustentabilidade para a Economia Catarinense”. O evento deve reunir pesquisadores e profissionais para discutir a relação entre meio ambiente, políticas públicas e crescimento econômico regional.
Impactos já são realidade
Dados recentes mostram que os efeitos das mudanças climáticas já atingem diretamente a economia catarinense. Entre 2014 e 2024, eventos climáticos extremos afetaram cerca de 1,53 milhão de pessoas no estado, gerando prejuízos estimados em R$ 38,47 bilhões.
Além das perdas materiais, especialistas alertam que esses eventos — como enchentes, estiagens e tempestades — estão se tornando mais frequentes e intensos. Em debates recentes na Assembleia Legislativa, foi destacado que Santa Catarina está entre os estados brasileiros mais impactados pela crise climática.
Reflexos no agro e na produção
A agropecuária, um dos pilares da economia catarinense — especialmente no Oeste — também já sente os efeitos. O regime de chuvas tem se tornado mais irregular, com períodos de seca alternados por precipitações intensas, o que afeta diretamente a produtividade no campo.
Diante disso, instituições como a Epagri vêm investindo em tecnologias para reduzir perdas e aumentar a resiliência das lavouras. Essas ações buscam manter a competitividade do setor e garantir a segurança alimentar, mesmo diante de cenários climáticos adversos.
Economia sob pressão
Os impactos vão além do campo. Desastres naturais geram custos elevados para municípios, afetam infraestrutura, elevam gastos públicos e prejudicam atividades como indústria, comércio e turismo.
Em escala global, estudos já indicam que as mudanças climáticas podem reduzir significativamente a produção econômica ao longo das próximas décadas, caso não haja adaptação e redução de emissões.
Caminhos e soluções
Diante desse cenário, cresce a discussão sobre adaptação climática e desenvolvimento sustentável. Entre as medidas debatidas estão:
- fortalecimento de políticas ambientais;
- investimentos em energia limpa;
- incentivo à agricultura sustentável;
- planejamento urbano mais resiliente.
Especialistas defendem que agir agora é essencial para reduzir prejuízos futuros e garantir crescimento econômico com sustentabilidade.
Um desafio urgente
O avanço das mudanças climáticas já não é mais uma projeção distante. Em Santa Catarina, os efeitos são visíveis e impactam diretamente a economia e a vida da população.
O debate que chega a eventos e instituições do estado reforça um consenso: enfrentar a crise climática deixou de ser apenas uma pauta ambiental — e se tornou uma necessidade econômica urgente.

