O presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias de Santa Catarina (Fecoagro), Arno Pandolfo, avalia que o Plano Safra 2026/2027 deve ser analisado com cautela pelos produtores rurais. Embora o Governo Federal tenha anunciado um volume expressivo de recursos para o financiamento da próxima safra, o dirigente afirma que o crescimento efetivo dos valores é insuficiente diante da inflação acumulada.
Segundo Pandolfo, o aumento destinado à agricultura empresarial ficou em torno de 1,7%, enquanto a inflação registrada no período gira entre 4% e 5%. Na avaliação do presidente da Fecoagro, isso significa que, na prática, não houve crescimento real dos recursos disponíveis, reduzindo a capacidade de financiamento do setor produtivo.
Outro aspecto destacado é a redução das taxas de juros em algumas linhas de crédito. O Governo Federal anunciou quedas que podem chegar a até 1,5 ponto percentual, medida considerada positiva pela entidade. No entanto, Pandolfo ressalta que o benefício é limitado, já que em diversas modalidades a redução será menor e parte significativa dos financiamentos dependerá de recursos da rede privada, que operam com juros livres e bem superiores aos praticados nas linhas de crédito controlado.
De acordo com o presidente da Fecoagro, esse cenário pode levar muitos produtores a recorrerem a financiamentos com custos mais elevados, aumentando o peso financeiro sobre a atividade rural.
Para a entidade, a principal fragilidade do Plano Safra está na ausência de uma política mais ampla e estruturada de seguro agrícola. Embora o documento oficial apresente medidas voltadas ao enfrentamento dos impactos climáticos, ajustes no Proagro e mecanismos de renegociação de dívidas, Pandolfo considera que essas ações não substituem um seguro rural eficiente, acessível e abrangente.
“O Plano Safra financia o risco, mas, sem um seguro agrícola efetivo, não protege adequadamente o produtor quando a safra falha”, afirma o presidente da Fecoagro.
A entidade defende que o fortalecimento do seguro rural seja tratado como prioridade para garantir maior segurança ao produtor diante dos frequentes eventos climáticos extremos e das incertezas que afetam a produção agrícola brasileira.

