Agro enfrenta novos entraves e custos elevados às vésperas do plantio de inverno
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Setor agropecuário acumula preocupações com alta dos fertilizantes, mudanças tributárias e novas restrições ao crédito rural

O mês de abril se encaminha para o fim trazendo um cenário de apreensão ao setor agropecuário brasileiro. Em um período marcado pelo planejamento do plantio de inverno e pelas definições para a próxima safra de verão, produtores rurais se deparam com uma série de desafios que impactam diretamente os custos e a viabilidade da produção.

Entre os fatores que preocupam o setor estão questões internacionais e decisões adotadas no Brasil. No cenário externo, a elevação expressiva dos preços dos fertilizantes ganhou força em meio aos conflitos no Oriente Médio, além das restrições impostas por países como Rússia e China à exportação de matérias-primas essenciais para a produção de adubos.

No âmbito nacional, o início do mês foi marcado pelo anúncio do fim da isenção de PIS/Cofins sobre insumos agrícolas, medida que representa aumento direto nos custos de produção. Também houve reajuste nas alíquotas do Funrural, afetando a comercialização dos produtos agropecuários.

Outro ponto que gerou forte reação do setor foi a decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) de adotar procedimentos mais rigorosos na liberação de financiamentos agrícolas. As Resoluções 5.193/2024 e 5.268/2025 estabelecem restrições ao crédito rural com base em alertas do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes).

Na prática, antes da concessão de financiamentos, instituições financeiras deverão consultar imagens de satélite para verificar se as áreas produtivas possuem restrições ambientais. A medida busca reforçar o controle sobre práticas de desmatamento, mas representantes do agro apontam preocupação com a falta de instrumentos capazes de diferenciar, com precisão, desmatamento legal e ilegal.

Segundo entidades do setor, a sistemática pode atingir produtores que atuam dentro da legislação ambiental, exigindo deles a comprovação de regularidade, o que amplia a burocracia e dificulta o acesso ao crédito.

A avaliação de lideranças agropecuárias é de que o conjunto de medidas pode comprometer o ritmo de plantio no país e gerar impactos futuros na produção agrícola. Organizações representativas já se mobilizam, inclusive judicialmente, para tentar barrar as exigências consideradas excessivas.

O debate também reacende a discussão sobre a necessidade de aperfeiçoamento dos mecanismos de monitoramento ambiental, especialmente enquanto o Cadastro Ambiental Rural (CAR) ainda está em processo de consolidação.

Para o setor, o momento exige revisão das medidas e maior equilíbrio entre a preservação ambiental e a segurança jurídica para os produtores rurais.

Fonte: Fecoagro / Artigo de opinião de Ivan Ramos.