Crise na suinocultura preocupa produtores de Santa Catarina apesar de recordes nas exportações
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A suinocultura catarinense vive um momento de forte preocupação. Mesmo com Santa Catarina consolidando sua posição como referência mundial em sanidade animal e registrando recordes nas exportações de carne suína, os produtores enfrentam uma grave crise financeira causada pelo aumento dos custos de produção e pela baixa remuneração paga pela indústria.

O alerta foi feito pelo presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio de Lorenzi. Segundo ele, o cenário atual coloca em risco a continuidade da atividade em muitas propriedades rurais.

Atualmente, o custo médio para produzir um quilo de suíno chegou a R$ 6,23. No entanto, o produtor recebe, em média, apenas R$ 5,05 por quilo comercializado, acumulando prejuízo em cada animal vendido.

Entre os fatores que contribuem para essa situação estão a cotação mais baixa do dólar, que reduz a competitividade das exportações, e a diminuição do poder de compra do consumidor brasileiro, afetando o consumo interno.

No entanto, de acordo com o presidente da ACCS, o principal motivo da crise foi o crescimento desordenado da produção, impulsionado por incentivos oferecidos por indústrias e cooperativas. Esse movimento resultou em um aumento expressivo da oferta de carne suína no mercado.

Segundo a entidade, houve a incorporação de aproximadamente 105 mil novas matrizes — fêmeas reprodutoras responsáveis pela produção de leitões — além do avanço nos índices de produtividade das granjas e do aumento do peso de abate, que atualmente supera os 130 quilos por animal.

Para a ACCS, esse descompasso entre produção e demanda poderia ter sido evitado com um planejamento mais criterioso do setor, evitando o excesso de oferta e a consequente queda dos preços pagos aos produtores.

Outro ponto destacado pela associação é que a redução no valor pago ao suinocultor não tem sido percebida pelos consumidores. Segundo a entidade, a queda no preço do suíno nas propriedades rurais não chegou às gôndolas dos supermercados, onde a carne continua sendo comercializada por valores elevados.

Diante desse cenário, os produtores aguardam medidas que possam restabelecer o equilíbrio do mercado e garantir a sustentabilidade econômica da atividade, considerada uma das principais cadeias produtivas do agronegócio catarinense.