Governadores aprovaram uma carta com algumas reivindicações ao governo federal para fazer frente á crise do coronavírus. Entre as medidas sugeridas pelos governadores, está a aplicação da lei que institui uma renda básica de cidadania a todos os cidadãos do país.

 

A lei foi sancionada em 2005 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevê o direito de todos os brasileiros residentes e estrangeiros residentes a no mínimo 5 anos receberem um benefício monetário anual.

 

Segundo a lei, caberá ao Executivo estipular o valor do benefício e prevê o pagamento de parcelas mensais, de valor igual, para todos os cidadãos, com objetivo de atender as despesas mínimas de cada cidadão com alimentação, saúde e educação, considerando para isso as possibilidades orçamentárias e o grau de desenvolvimento do País.

 

Os governadores também querem a suspensão por 12 meses do pagamento das dívidas dos estados com a União e bancos públicos, além da "abertura da possibilidade de quitação de prestações apenas no final do contrato" e a "disponibilização de linhas de crédito do BNDES para aplicação em serviços de saúde e investimentos em obras".

 

As propostas a serem apresentadas ao governo federal são as seguintes:

*Suspensão por 12 meses do pagamento das dívidas dos estados com a União, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e disponibilização de linhas de créditos do BNDES para aplicação em serviços de saúde e investimentos em obras

*Viabilização emergencial e substancial de recursos "livres" do governo federal

*Mudanças no regime de recuperação fiscal e aprovação do chamado Plano Mansueto. Pelo plano, enviado em junho do ano passado ao Congresso, a União propõe dar aval para estados com baixo nível de endividamento contratarem empréstimos junto ao setor financeiro e concede prazo de até cinco anos aos estados que estão descumprindo os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para que possam se reenquadrar nos limites estabelecidos.

*Redução da meta de superávit primário para evitar ameaça de contingenciamento (bloqueio) orçamentário

*Aplicação da Lei 10.835/2004 que institui a renda básica da cidadania

Na carta, os governadores pedem que o Presidente Jair Bolsonaro “tenha serenidade e some forças” para enfrentar a crise do coronavírus.

Os governadores também dizem que continuarão adotando medidas respeitando as orientações dos profissionais de Saúde e da OMS.

As orientações preveem o isolamento social como método para evitara disseminação do vírus e conter a expansão da doença Covid-19.

 

"No que diz respeito ao enfrentamento da pandemia global, vamos continuar adotando medidas baseadas no que afirma a ciência, seguindo orientação de profissionais de saúde e, sobretudo, os protocolos orientados pela Organização Mundial de Saúde (OMS)", diz o texto da carta dos governadores.

 

No encontro dos governadores, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse ser necessário distinguir as medidas que devem ser adotadas a curto, a médio e a longo prazos.

 

Para Maia, o "ambiente" entre o governo federal e o parlamento "não é dos melhores" e, diante disso, Congresso e governadores devem definir as medidas de curto prazo.

 

"A gente precisa resolver no curto prazo, garantindo emprego, a renda dos municípios e dos estados para que eles possam continuar funcionando. Emprego e renda para os mais pobres e condições para os municípios continuarem funcionando", afirmou.

 

Medidas do governo federal

O governo federal anuncio um pacote de suporte aos estados do qual o montante é de 88,2 bilhões. Esse pacote será distribuído da seguinte maneira:

 

*Transferência de R$ 8 bilhões para gastos em saúde;

*Recomposição de fundos de participação de estados e municípios, no valor de R$ 16 bilhões (seguro para queda de arrecadação);

*Transferência de R$ 2 bilhões para gastos em assistencial social;

*Suspensão das dívidas dos estados com a União (R$ 12,6 bilhões);

*Renegociação de dívidas de estados e municípios com bancos (R$ 9,6 bilhões);

*Operações com facilitação de créditos, no valor de R$ 40 bilhões.

 

CARTA DOS GOVERNADORES DO BRASIL

 

NESTE MOMENTO DE GRAVE CRISE

O Brasil atravessa um momento de gravidade, em que os governadores foram convocados por suas populações a agir para conter o ritmo da expansão da Covid-19 em seus territórios. O novo coronavírus é um adversário a ser vencido com bom senso, empatia, equilíbrio e união. Convidamos o presidente da República a liderar este processo e agir em parceria conosco e com os demais poderes.

Reunidos, queremos dizer ao Brasil que travamos uma guerra contra uma doença altamente contagiosa e que deixará milhares de vítimas fatais. A nossa decisão prioritária é a de cuidar da vida das pessoas, não esquecendo da responsabilidade de administrar a economia. Os dois compromissos não são excludentes. Para cumpri-los precisamos de solidariedade do governo federal e de apoio urgente com as seguintes medidas (muitas já presentes na Carta dos Governadores assinada em 19 de março de 2020):

 

  1. Suspensão, pelo período de 12 meses, do pagamento da dívida dos Estados com a União, a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, e organismos internacionais como Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), bem como abertura da possibilidade de quitação de prestações apenas no final do contrato, além da disponibilização de linhas de crédito do BNDES para aplicação em serviços de saúde e investimentos em obras;
  2. Disponibilidade e alongamento, pelo BNDES, dos prazos e carências das operações de crédito diretas e indiretas para médias, pequenas e microempresas. Demanda-se viabilizar o mesmo em relação a empréstimos junto a organismos internacionais;
  3. Viabilização emergencial e substancial de recursos livres às Unidades Federadas, visando a reforçar a nossa capacidade financeira, assim como a liberação de limites e condições para contratação de novas operações de crédito (incluindo extralimite aos Estados com nota A e B), estabelecendo ainda o dimensionamento de 2019 pelo Conselho Monetário Nacional e permitindo a securitização das operações de crédito;
  4. Imediata aprovação do Projeto de Lei Complementar 149/2019 (“Plano Mansueto”) e mudança no Regime de Recuperação Fiscal, de modo a promover o efetivo equilíbrio fiscal dos Entes Federados;
  5. Redução da meta de superávit primário do Governo Federal, para evitar ameaça de contingenciamento no momento em que o Sistema Único de Saúde mais necessita de recursos que impactam diretamente as prestações estaduais de saúde;
  6. Adoção de outras políticas emergenciais capazes de mitigar os efeitos da crise sobre as parcelas mais pobres das nossas populações, principalmente no tocante aos impactos sobre o emprego e a informalidade, avaliando a aplicação da Lei nº 10.835, de 8 de janeiro de 2004, que institui a renda básica de cidadania, a fim de propiciar recursos destinados a amparar a população economicamente vulnerável;
  7. Apoio do governo federal no tocante à aquisição de equipamentos e insumos necessários à preparação de leitos, assistência da população e proteção dos profissionais de saúde.

 

Informamos que os governadores seguirão se reunindo à distância, no modelo de videoconferências – como preconizam as orientações médicas internacionais –, com o objetivo de uniformizar métodos e com vistas a alcançar, em um futuro breve, ações consorciadas, que nos permitam agir no tema de coronavírus e em outros temas.

No que diz respeito ao enfrentamento da pandemia global, vamos continuar adotando medidas baseadas no que afirma a ciência, seguindo orientação de profissionais de saúde e, sobretudo, os protocolos orientados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

O Congresso Nacional deve assumir o protagonismo em defesa do pacto federativo, conciliando os interesses dos entes da federação, compatibilizando ações e canalizando demandas de Estados e municípios.

Por fim, desejamos que o Presidente Jair Bolsonaro tenha serenidade e some forças com os Governadores na luta contra a crise do coronavírus e seus impactos humanitários e econômicos. Os Governadores entendem que este momento exige a participação dos poderes legislativo, executivo, judiciário, da sociedade civil e dos meios de comunicação.

 

Juntos teremos mais força para superar esta grave crise no País.

 

Assinam esta carta 26 Governadores

 

João Doria, Governador de São Paulo

Wilson Witzel, Governador do Rio de Janeiro

Gladson Cameli, Governador do Acre

Renan Filho, Governador de Alagoas

Waldez Góes, Governador do Amapá

Wilson Lima, Governador do Amazonas

Rui Costa, Governador da Bahia

Camilo Santana, Governador do Ceará

Renato Casagrande, Governador do Espírito Santo

Ronaldo Caiado, Governador de Goiás

Flávio Dino, Governador do Maranhão

Mauro Mendes, Governador do Mato Grosso

Reinaldo Azambuja, Governador do Mato Grosso do Sul

Romeu Zema, Governador de Minas Gerais

Helder Barbalho, Governador do Pará

João Azevêdo, Governador da Paraíba

Ratinho Júnior, Governador do Paraná

Paulo Câmara, Governador do Pernambuco

Wellington Dias. Governador do Piauí

Fátima Bezerra, Governador do Rio Grande do Norte

Eduardo Leite, Governador do Rio Grande do Sul

Coronel Marcos Rocha, Governador de Rondônia

Antonio Denarium, Governador de Roraima

Carlos Moisés, Governador de Santa Catarina

Belivaldo Chagas, Governador de Sergipe

Mauro Carlesse, Governador do Tocantins