O inverno exige uma atenção especial para as pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade social. Ser acolhido, dormir numa cama quentinha e ainda receber uma refeição é algo que não dá para avaliar o grau de importância em momentos onde as temperaturas despencam.

Em Santo Ângelo, o Governo Municipal possui uma atenção especial para essa parcela da população. Além do abrangente trabalho da Central do Bem, com mais de 4,2 mil pessoas cadastradas recebendo doações de agasalhos e calçados, entre outras, a Secretaria de Assistência Social, Trabalho e Cidadania dispõe da Casa de Passagem para atender quem se encontra em situação de rua e desabrigo, seja por abandono, migração ou sem condições de autossustento.

O secretário Everaldo de Oliveira destaca que é um serviço de média complexidade que integra a abordagem social ofertada com embasamento técnico do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS). A Casa estava fechada e foi reinaugurada em agosto de 2018.

Localizada no prédio anexo ao Lar da Velhice Isabel Oliveira Rodrigues, a Casa de Passagem atende pessoas que não possuem local adequado para o pernoite. “São atendidas pessoas de Santo Ângelo e outras que estejam de passagem por aqui, mas que necessitam desse auxílio e assim não ficam nas ruas”, acentua Everaldo.

São seguidas algumas regras para o acolhimento, começando com o cadastro e avaliação do servidor responsável. A autorização para o pernoite pode partir diretamente da Secretaria Municipal de Assistência Social. Mas em ambos os casos os órgãos de segurança podem ser contatados para verificação da situação da pessoa que está solicitando o pernoite, numa ação preventiva.

É exigido ainda que a pessoa acolhida tome banho e, se for necessário, serão fornecidas roupas e calçados. Também é servida uma refeição e na manhã, por volta das 7 horas, é servido o café antes que o acolhido deixe o local. Durante o dia, das 7 às 18h30min a casa permanece fechada, porém, os servidores trabalham em regime de plantão, atendendo pelo telefone da Secretaria: 98403-9997.

A Casa de Passagem tem capacidade para acolher até nove pessoas, sendo cinco mulheres e quatro homens em ambientes separados e amplos. Após o encaminhamento na Casa de Passagem, a plantonista da noite realiza uma ronda nas praças e logradouros públicos buscando identificar pessoas que podem ser encaminhadas para ser acolhida.

Everaldo lembra que as pessoas em situação de vulnerabilidade social são identificadas e devidamente cadastradas pela Secretaria. “Não temos moradores de rua em Santo Ângelo. Existem pessoas que estão nessa situação por opção, devido a brigas com familiares, dependência química, entre outros. Algumas dessas pessoas foram abordadas várias vezes, mas a pessoa que está em conflito familiar não aceita ser acolhida e não pode ser levada à força. Preferem permanecer nas ruas embora tenham para onde ir e não podemos ferir o direito de ir e vir dessas pessoas”, comenta Everaldo, que acrescenta: “O Município vem fazendo a sua parte, fortalecendo a rede de assistência social e oferecendo um espaço digno, com uma equipe preparada e disposta a atender as pessoas que necessitam de abrigo temporário”.

Depoimento

“O atendimento é excelente”

Na noite de quarta-feira, 10, um rapaz que trabalha como pintor predial foi acolhido na Casa de Passagem. Ele diz que com frequência busca abrigo no local. “O atendimento é excelente. Recebemos uma atenção muito especial”.

O rapaz, que preferiu não se identificar, conta que trabalha durante o dia, mas que não reúne condições de pagar um aluguel ou sempre garantir recursos para um local onde pernoitar, por isso, se socorre da Casa de Passagem. “Fico feliz em ver que a Prefeitura se preocupa com quem precisa, com quem realmente está necessitado dessa ajuda”.

Ele elogia o atendimento feito pela equipe da Casa, frisando que todos são atenciosos e realizam o trabalho com carinho. “A gente se sente muito bem. São servidas refeições de qualidade, um café da manhã completo, com leite, achocolatado, bolacha, pão, cuca. O quarto é muito bom, com cobertas quentes, muita higiene e TV”.

Entretanto, ele lembra que é preciso cumprir as regras, como o banho antes de receber o atendimento e se manter com educação e respeito. “Quem chega aqui alcoolizado não é atendido, pois o local não é para confusão, mas para auxiliar quem realmente precisa de um ajuda com dignidade e segurança”.

Texto: Hogue Dorneles

Fotos: Fernando Gomes