Uma pessoa se suicida a cada 40 segundos. Mas nove em cada dez mortes dessas mortes podem ser evitadas. É o que aponta relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) que destaca a importância da prevenção. Prevenir, educar e sensibilizar a população sobre o tema é objetivo da campanha Setembro Amarelo que reúne sociedade civil e governo.

 

Medo, ansiedade, angústia e o sentimento de um “peso enorme” levaram a jovem Karina Santos (nome fictício), de 23 anos, a três tentativas de suicídio entre 2013 e 2017. Os primeiros sintomas de que algo não ia bem apareceram por volta dos 9 anos, quando, ao ficar nervosa, tinha tremores e taquicardia. Só aos 15 anos veio o diagnóstico de depressão e ansiedade, e o início do tratamento com medicamentos e terapia.

 

Karina disse que tentou o suicídio porque acreditava que era a única forma de se livrar dos sentimentos que a faziam sofrer. “O sentimento de se sentir um fardo é muito forte, você não quer ser um problema pras outras pessoas, você quer simplesmente sumir e não necessariamente morrer, mas não é assim que funciona, você não some”, relatou.

 

A jovem afirmou que após anos de acompanhamento profissional se sente melhor e está aprendendo a comemorar pequenas vitórias. “Hoje me sinto bem melhor. Ainda tenho ansiedade, depressão, é meio como uma montanha-russa, uma hora você está bem, outra não. Agora estou reconhecendo pequenas vitórias como conseguir ir pra faculdade, fazer um trabalho, tento sempre me lembrar disso”.

 

Causas

A psiquiatra Fernanda Coelho alertou que entre sinais de que algo não vai bem com a pessoa estão: tristeza constante, isolamento, deixar de fazer as atividades que gosta e irritabilidade. Frases como “Minha vida não vale mais a pena” e “Sou peso para todos”, devem ser observadas.

 

“A pessoa quando pensa em suicídio ela quer acabar com aquela dor, aquela angústia, com a sensação do desamparo e desespero e a única coisa que ela consegue pensar naquele momento é em morrer. Na verdade ela pede socorro, muitas vezes eles falam e comentam muito sobre morte e suicídio”, disse.

 

A médica explicou que a maioria dos suicídios está atrelada a algum transtorno, em especial a depressão. “O suicídio é prevenível tratando a doença mental”, explicou a psiquiatra.

 

Dados da Organização Mundial de Saúde mostram que a depressão afeta 4,4% da população mundial e será a segunda causa mais incapacitante no mundo em 2020.

 

Acolha a Vida

 

O Governo Federal tem trabalhado na prevenção ao problema e lançou este ano a campanha Acolha a Vida para a prevenção do suicídio e automutilação. A iniciativa é voltada a todas faixas etárias, especialmente crianças, adolescentes e jovens. É comandada pelo ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e conta com o apoio de diversos ministérios e da sociedade civil. A campanha integra os esforços do ministério para prevenir a violência autoprovocada.

 

Desde 2006, o Ministério da Saúde institui as Diretrizes Nacionais para Prevenção do Suicídio a serem implantadas em todas as unidades da federação. Segundo o ministério, a existência de um Centro de Atendimento Psicossocial (CAPs) em um município reduz em 14% o risco de suicídio.

 

Setembro Amarelo

 

A campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio foi criada no Brasil em 2015 pelo CVV em parceria com outras organizações. Ao longo dos últimos anos, escolas, universidades, entidades do setor público e privado se envolveram no movimento. Ao longo do mês de setembro são organizadas ações para discutir o problema e dar visibilidade ao tema.

 

Apoio 

A voluntária do Centro de Valorização da Vida (CVV), Leila Héredia, destacou a importância de uma rede de apoio com profissionais, familiares e amigos. A informação também é uma aliada no enfrentamento ao problema. “Suicídio é um ato de comunicação, a pessoa não quer se matar, ela quer aliviar a dor que para ela é insuportável. Então, a medida que ela conversa, se sente compreendida”, disse Leila Herédia. “Acreditamos que a pessoa ao falar, consegue encontrar dentro dela tudo o que precisa para poder buscar uma forma de estar melhor ali”, completou.

 

A voluntária diz que ao longo dos anos a demanda pelo serviço do CVV tem aumentado. Em 2017 foram dois milhões de atendimentos e esse ano a estimativa é chegar a três milhões.

 

O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email e chat 24 horas todos os dias. Telefone 188.

 

FONTE: gov.br