Fique em casa: essa foi a recomendação mais frequente nos últimos meses, já que é uma das medidas mais eficazes para evitar a disseminação do coronavírus. Ainda não há previsão de quando a rotina de deslocamentos pelas cidades voltará ao normal. Quando esse dia chegar, o comportamento das pessoas nos centros urbanos ainda será o mesmo? Ou outras formas de mobilidade serão exigidas? Os especialistas da Unisul ajudam a desvendar o que muda no comportamento urbano daqui para frente.

 

Cidades sustentáveis

 

O termo “cidades sustentáveis” já vem sendo usado há algum tempo. Com o isolamento social, a necessidade de falar sobre isso é ainda maior. Afinal, o que é uma cidade sustentável e como ela contempla as novas preocupações das pessoas?

 

— Uma cidade sustentável prevê uma série de diretrizes para melhorar a gestão da zona urbana e prepará-la para as gerações futuras. Isso é possível através de alguns pilares, como a responsabilidade ambiental, que passa pela atuação do Engenheiro Ambiental que, por sua vez, aplica métodos, técnicas e tecnologias para evitar o esgotamento dos recursos naturais e do meio ambiente — explica o Coordenador dos cursos de Engenharia Ambiental e Sanitária da Unisul, Anderson Soares André.

 

Segundo ele, o curso de Engenharia Ambiental possui disciplinas focadas na sustentabilidade e está sendo implantado um novo projeto pedagógico ainda mais focado no mercado de trabalho, com base no conceito CHA (Conhecimento, Habilidades e Atitudes), que permitirá o desenvolvimento acentuado das habilidades com foco sustentável nos futuros engenheiros.

 

A busca por alternativas sustentáveis também deve afetar o setor da Engenharia Civil, já que a tendência é que a procura por moradias que atendam a essas necessidades se intensifique cada vez mais.

 

— As soluções e moradias sustentáveis que busquem otimizar energia e água, reaproveitar o lixo produzido, que venham a impactar positivamente a qualidade de vida dos habitantes de uma cidade e que tragam benefícios ao meio ambiente devem ser vistas como tendência para o futuro imediato — afirma o Coordenador do curso de Engenharia Civil da Unisul, Oscar Ciro López.

 

Mobilidade: a necessidade e o desafio de se deslocar

 

A rotina urbana precisou se transformar e esse pode ser o ponto de partida para uma mudança nas cidades. Mais especificamente, na maneira como as pessoas se deslocam por elas.

 

— O planejamento das cidades já se volta para o conceito da acessibilidade, que representa o esforço para se atingir os destinos desejados de forma descomplicada. A mobilidade complementa a acessibilidade na medida em que gera condições que permitam a todos o acesso aos seus destinos — aponta López.

 

Ele acredita que o futuro pode nos reservar cidades planejadas de forma orientada, onde o deslocamento origem-destino seja menor.

 

— Isso remete para a criação de polos geradores ou concentradores de geração de ofertas de serviços, como escolas, trabalho, saúde e lazer, espalhados pelo território e não segregados, evitando o trajeto de longa distância e o fluxo intenso no horário do início e do fim da jornada de trabalho — explica ele.

 

Em relação à profissão de Engenheiro Civil, López acredita que a questão da mobilidade e a preocupação em relação ao distanciamento social devem continuar em foco nos projetos realizados pelos futuros profissionais.

 

— Projetos arquitetônicos, residenciais, de urbanização, de sistemas de transporte, entre outros, devem englobar medidas de redução de pontos de contágio, distanciamento seguro sem redução da capacidade de atendimento, maior oferta de coleta sanitária de lixo, entre outras questões. O maior desafio é a mudança cultural dos novos empreendimentos urbanos, com planejamento de sistemas de transporte de uso coletivo em detrimento do uso individual, com priorização do uso da bicicleta e das caminhadas em rotas inseridas em um contexto paisagístico e com segurança na locomoção — afirma López.

 

E o transporte aéreo, como fica?

 

O setor de aviação civil foi um dos mais afetados pela pandemia do coronavírus. De acordo com a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), os dados de mercado do transporte aéreo no Brasil apresentaram uma drástica redução, com queda de 92% no tráfego doméstico e 100% no tráfego internacional. Em maio, a ANVISA publicou uma nota técnica estabelecendo novas medidas sanitárias para a aviação civil brasileira, para enfrentamento do coronavírus.

 

— A sanitização, higienização e limpeza de ambientes serão implementadas e fiscalizadas com ênfase. Aeroportos e aviões deverão refletir a sensação de segurança, caso contrário a recuperação do setor será muito lenta. A aviação, por si só, já exige muitos cuidados com a segurança das operações e das pessoas. Vidas humanas não são encontradas em prateleiras. O avião, se quebrar, você compra outro, isso não ocorre com vidas. A tendência é o transporte aéreo se tornar cada vez mais seguro. Já contamos com tecnologias que contribuem para evitar o contágio, como a filtragem de ar especial nas aeronaves mais modernas. A pandemia será responsável por mudanças significativas na indústria do turismo e, principalmente, na aviação — afirma o Coordenador do curso de Ciências Aeronáuticas no Ensino Digital da Unisul, Paulo Roberto dos Santos.

 

A preocupação com a segurança nas atividades diárias e nos deslocamentos parece ser o norte que guiará todas as mudanças a partir de agora. Os lugares também precisam se reinventar e serem vistos com outro olhar, conforme as necessidades mudam. Um novo futuro para as cidades está logo adiante e, para os novos profissionais que atuarão na área urbana, será essencial entender o comportamento das pessoas no mundo pós-pandemia.

 

FONTE:nsctotal.com.br