Foto: AFP

 

A primeira fase passou. Deixou boas lições positivas e alertas. Entre erros e acertos, a seleção brasileira reencontrou algo que estava em falta antes do início da Copa do Mundo: confiança. Depois de um pacto fechado entre as atletas logo no início da preparação, o Brasil conseguiu esquecer as nove derrotas que somava e chega às oitavas com novo gás.

 

Não será fácil. Internamente, as atletas - sobretudo as lideranças do grupo - tem tido um esforço para elevar o ânimo e criar um ambiente positivo. Apesar de não chegar entre as favoritas, o discurso repetido várias vezes é de que o time pode surpreender.

 

A primeira fase do Brasil foi marcada pelo grupo mais equilibrado do torneio: mesmo com duas vitórias, a Seleção acabou passando em terceiro lugar e terá pela frente um adversário pesado: França ou Alemanha.

 

O balanço da primeira fase

 

A volta de Cristiane

 

Talvez a melhor notícia logo na estreia da Copa do Mundo. Meses antes, Cristiane sequer tinha certeza se conseguiria jogar seu quinto e último Mundial. Não só o fez, mas também marcou três gols no jogo diante da Jamaica. A atacante, no entanto, foi substituída nos três jogos e tem tido cuidados especiais da comissão por conta dos problemas físicos sofridos nos últimos meses. Os três gols dela, que chegou a desistir de jogar pela seleção em 2017, foram muito comemorados pelo grupo e deram uma injeção de ânimo logo no começo.

 

Susto e alívio com Marta

 

Os primeiros dias da preparação para a Copa, ainda em Portugal, trouxeram um baque e um susto para a seleção brasileira. Marta sofreu uma lesão na coxa esquerda e teve de iniciar tratamento de forma imediata. Começava ali uma corrida contra o tempo que só foi aliviada, de certa forma, na segunda rodada da fase de grupos. A camisa 10 foi poupada da estreia contra a Jamaica, jogou 45 minutos contra a Austrália e, por último, 80 minutos contra a Itália. A recuperação foi dentro do esperado e, de quebra, ela marcou dois gols (de pênalti) nos dois jogos que atuou - quebrando mais recordes.

 

Tamires merece destaque

 

Além das boas atuações de Cristiane, Marta e Andressa Alves (nos dois primeiros jogos), é importante enaltecer a consistência mostrada pela lateral-esquerda Tamires. Mostrou força no setor, tanto defensivamente quando no apoio ao ataque. Mais no ataque, Debinha também se portou bem, sobretudo nos últimos jogos. Entrando no lugar de Formiga, Andressinha também mostrou que pode ser uma boa solução na ausência de Andressa Alves.

 

Lesões e cortes geram alerta

 

Marta não foi a única atleta a sofrer com problemas físicos. Ao contrário da lesão da camisa 10, outras atletas não tiveram desfechos positivos no Mundial. Três jogadoras se machucaram e acabaram sem poder atuar no decorrer do torneio. Duas foram antes da estreia: Fabi Simões e Erika. A mais recente foi Andressa Alves, um dos destaques do Brasil nos dois primeiros jogos. Ela sofreu uma lesão na coxa no treinamento e não joga mais na França. A sequência de lesões gerou questionamentos, mas as atletas defenderam publicamente e internamente o trabalho da comissão.

 

Defesa e atenção no lado direito

 

Em campo, o Brasil ainda precisa de muitos ajustes. Sobretudo para os duelos mais fortes que enfrentará no prosseguimento da Copa. E a defesa é um ponto de atenção. Barbara falhou em um dos gols contra a Austrália, mas o ponto de maior atenção tem sido o lado direito. Kathellen e Letícia não conseguido equilibrar a proteção e, em todos os jogos até aqui, as adversárias utilizaram muito o setor para avançar. Contra a Itália, o técnico Vadão chegou a inverter o posicionamento de Mônica para ajustes. No fim da partida contra a Itália, ele ainda colocou Poliana na lateral-direita.

 

Psicológico também merece atenção

 

A seleção brasileira tem três pilares fundamentais: Marta, Cristiane e Formiga. Além delas, há lideranças experientes como Barbara e Mônica. Há uma mistura de gerações, com atletas mais novas e com menos experiência. No jogo contra a Austrália, a saída de peças foi sentida também do ponto de vista psicológico, sobretudo conforme a Austrália ganhava espaço para jogar. O Brasil, assim como nos jogos pré-Copa, segue tendo dificuldades para se recuperar de gols sofridos.

 

Próximo duelo?

 

A definição do Grupo D da Copa do Mundo Feminina, que aconteceu nesta quarta-feira, não ajudou o Brasil a conhecer seu adversário nas oitavas de final. Com a Seleção, no Grupo C, e a China, no B, garantidas entre as quatro melhores terceiras colocadas, existem hoje seis cenários possíveis e, em cinco deles, o rival seria a França no próximo domingo, às 16h (de Brasília), em Le Havre.

 

No entanto, a possibilidade de o adversário brasileiro ser a Alemanha, no sábado, às 12h30 (de Brasília), em Grenoble, aumentou significativamente com o empate desta quarta entre Argentina e Escócia. 

 

 

Fonte: G1 - GloboEsporte.com