O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) realizou, nesta segunda-feira, 3 de agosto, uma demonstração pública sobre o funcionamento do sistema eletrônico de votação e os mecanismos de segurança utilizados nas urnas eletrônicas.
Durante o evento “Conheça a Urna Eletrônica por Dentro”, o equipamento foi aberto e desmontado em tempo real pela primeira vez em Santa Catarina. A programação ocorreu na sede do TRE-SC e reuniu jornalistas, profissionais de Tecnologia da Informação e representantes de instituições públicas e privadas.
A atividade fez parte da primeira edição da Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação, promovida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entre os dias 3 e 9 de agosto. A iniciativa conta com ações em todo o país para ampliar o conhecimento da população sobre o funcionamento, a transparência, a segurança e a possibilidade de auditoria do processo eleitoral brasileiro.
Para o presidente do TRE-SC, desembargador Carlos Roberto da Silva, a demonstração representa uma oportunidade de aproximar a população do funcionamento da urna eletrônica e enfrentar a disseminação de informações falsas sobre o equipamento.
“Precisamos fortalecer ainda mais a confiança no processo eleitoral e reafirmar a compreensão de que a democracia se protege com informação qualificada. Não há informação sobre a segurança do processo eletrônico que não possamos e não devamos transmitir”, afirmou.
O desembargador também relembrou o período em que atuou como juiz eleitoral, quando as eleições ainda eram realizadas com cédulas de papel e a apuração dos votos ocorria manualmente.
O diretor-geral do TRE-SC, Gonsalo Ribeiro, também destacou as mudanças proporcionadas pela implantação do voto eletrônico no Brasil.
“Superamos o modelo de cédula em papel, de apuração manual, vulnerável, lenta e subjetiva. Hoje, a velocidade da apuração é aclamada por todos. Exaltar a transparência, a integridade e a auditabilidade da urna é reafirmar a legitimidade da vontade popular”, declarou.
Urna foi desmontada diante do público
Durante o evento, foram apresentadas uma urna eletrônica danificada em um ataque ocorrido nas Eleições de 2018, uma urna utilizada para treinamentos e um equipamento lacrado, aberto durante a demonstração.
O secretário de Tecnologia da Informação do TRE-SC, Samuel Fernandes Ribeiro, explicou as etapas do sistema eletrônico de votação e apresentou as camadas de segurança utilizadas para proteger o equipamento.
Segundo ele, a segurança é estruturada em quatro grandes áreas: hardware, software, caminho percorrido pelo voto e totalização dos resultados.
O assessor técnico eleitoral e de Voto Informatizado do TRE-SC, João Sebastião de Andrade, conduziu a abertura do equipamento. O procedimento começou com a retirada da urna da caixa de transporte e seguiu com a remoção dos parafusos, da tela e das placas que compõem o sistema.
A cada peça retirada, servidores do Tribunal apresentavam explicações técnicas sobre o funcionamento e as medidas de proteção adotadas.

Urna não possui conexão com a internet
Durante a apresentação, o TRE-SC reforçou que a urna eletrônica não possui conexão com a internet. O software utilizado no equipamento é desenvolvido pela equipe técnica do Tribunal Superior Eleitoral e conta com diferentes mecanismos de criptografia.
Uma das ferramentas utilizadas é o Registro Digital do Voto, conhecido como RDV. O sistema registra os votos de maneira desvinculada da identificação do eleitor, garantindo o sigilo da escolha realizada na cabine de votação.
Cada urna também possui um código próprio, comparado pelos técnicos a um “DNA” do equipamento. Essa identificação é conferida e validada durante o processo de totalização dos votos.
O mecanismo também é utilizado quando uma urna precisa ser substituída durante a votação, procedimento conhecido como contingência.
Como exemplo, os técnicos apresentaram uma urna danificada a golpes de marreta por um eleitor durante as Eleições de 2018. Apesar dos danos causados ao teclado e à estrutura externa, as placas internas e a mídia que armazenava os dados não foram atingidas.
Com isso, os votos registrados antes do ataque foram preservados. A urna foi substituída e o código do novo equipamento foi informado ao TSE para que os demais votos fossem contabilizados normalmente.
Assista aqui: https://www.youtube.com/watch?v=1cd7M4gOLms
Boletim de Urna poderá ser acompanhado por eleitores
O coordenador de Eleições do TRE-SC, Paulo Dionísio Fernandes, também explicou o funcionamento do Boletim de Urna, documento impresso pelo equipamento após o encerramento da votação.
O documento apresenta a quantidade de votos registrada para cada candidatura naquela seção eleitoral. Ao final do pleito, são impressas obrigatoriamente cinco vias, mas o presidente da seção pode emitir até dez cópias.
Nas Eleições de 2026, os dois últimos eleitores que estiverem na seção serão convidados a acompanhar o encerramento da votação. Cada um deles também poderá receber uma via do Boletim de Urna.
A Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação segue até domingo, 9 de agosto, com demonstrações, palestras, visitas guiadas, atividades educativas e ações de enfrentamento à desinformação em diferentes estados brasileiros.
Fonte: Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina e Tribunal Superior Eleitoral
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