SC: El Niño deve chegar antes do previsto e pode mudar o padrão do inverno
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Especialistas apontam sinais do fenômeno já a partir de julho, com tendência de menos frio prolongado, mais chuva e maior variabilidade no tempo durante o inverno catarinense.

Meteorologistas apontam mais de 80% de chance de estabelecimento do fenômeno entre junho e agosto (Foto por Thiago Kaue/SecomGOVSC)

Santa Catarina pode sentir os efeitos do El Niño mais cedo do que o previsto em 2026. Tradicionalmente mais associado à primavera, o fenômeno agora apresenta sinais de antecipação e já deve começar a influenciar o estado a partir de julho, ainda no inverno, segundo análises apresentadas no Fórum Climático Catarinense.

De acordo com a Defesa Civil de Santa Catarina e a Epagri/Ciram, a chegada antecipada do El Niño tende a alterar o comportamento típico da estação, com temperaturas acima da média, menos episódios de frio intenso e duradouro, além de períodos alternados entre massas de ar frio e intervalos mais aquecidos. A previsão também indica maior amplitude térmica, ou seja, diferença mais acentuada entre as mínimas e máximas ao longo do dia.

Outro reflexo esperado é o aumento da instabilidade atmosférica, com possibilidade de mais chuva e maior frequência de episódios de tempo severo em parte do estado durante a segunda metade do ano. A Defesa Civil catarinense destaca que o monitoramento já foi intensificado diante dos sinais consistentes de consolidação do fenômeno no segundo semestre.

No cenário internacional, centros de monitoramento climático também acompanham a evolução do fenômeno. O INMET informou, em nota técnica publicada em março, que a possível confirmação do El Niño em 2026 deve influenciar principalmente o fim do inverno e a primavera no Brasil. Já reportagens baseadas em órgãos como a OMM e a NOAA apontam probabilidade crescente de desenvolvimento do fenômeno entre maio e julho deste ano.

Mesmo com a tendência de antecipação, os especialistas reforçam que ainda é cedo para cravar a intensidade exata do evento. O comportamento do El Niño depende da evolução do aquecimento no Pacífico e de outros fatores atmosféricos, o que exige acompanhamento contínuo nas próximas semanas e meses.

Para Santa Catarina, a sinalização atual aponta para um inverno menos “travado” pelo frio e mais marcado por oscilação. Em vez de uma estação reta como trilho, o cenário desenha um inverno em zigue-zague, com mudanças rápidas e atenção redobrada para o comportamento do tempo. Essa leitura é uma inferência com base nas projeções oficiais do estado sobre temperatura, chuva e variabilidade climática.