O mercado financeiro reagiu de forma positiva ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. A vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levou investidores a revisarem as expectativas para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa da disputa com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença de 1,87 ponto percentual contrariou parte das pesquisas divulgadas antes da votação e aumentou, entre investidores, a expectativa de uma possível mudança no comando do país.
A reação foi observada principalmente na Bolsa e no mercado de câmbio. O Ibovespa superou pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos e atingiu um novo recorde. Já o dólar caiu 4,12%, fechando a sessão a R$ 5,0010, depois de chegar a R$ 4,9530 durante o dia.
Segundo especialistas, o movimento está relacionado à expectativa de que um eventual novo governo adote uma condução considerada mais favorável ao equilíbrio das contas públicas. Com isso, as taxas de juros projetadas para os próximos anos recuaram e os investimentos brasileiros ganharam atratividade.
Entre as ações que mais subiram estiveram as de bancos. Banco do Brasil registrou alta de 11%, enquanto B3 avançou 22,63%, Bradesco 13,57%, BTG Pactual 22,52% e Itaú 10,37%. A queda das taxas de juros futuras contribuiu para a valorização das ações.
Dólar recua mais de 4%
A moeda norte-americana também foi impactada pelo novo cenário eleitoral. A queda de 4,12% levou o dólar ao fechamento de R$ 5,0010.
A redução está relacionada à percepção de menor risco por parte dos investidores e à possibilidade de entrada de recursos estrangeiros no país. Com uma maior procura por investimentos brasileiros, aumenta a oferta de dólares no mercado, contribuindo para a redução da cotação.
Apesar da forte reação, o movimento ainda é baseado em expectativas. A equipe de Flávio Bolsonaro afirma que pretende promover um ajuste nas contas públicas, com corte de gastos equivalente a 1,5% do PIB, além de mudanças nas regras de despesas e redução da estrutura do governo.
A campanha estima que as medidas poderiam representar um ajuste de aproximadamente R$ 190 bilhões, mas ainda não apresentou cálculos detalhados sobre como o objetivo seria alcançado.
Cenário ainda pode mudar até o segundo turno
Apesar da forte reação dos mercados, a eleição presidencial continua em aberto. Até o segundo turno, marcado para 25 de outubro, debates, novas pesquisas, apoios políticos e ações de campanha podem alterar as expectativas e provocar novas mudanças nos preços dos investimentos.
Uma eventual ampliação da vantagem de Flávio Bolsonaro pode reforçar a valorização observada após o primeiro turno. Já uma recuperação de Lula pode provocar a reversão de parte das altas registradas na Bolsa e de outros ativos.
Fonte: G1 | Por: Jornalismo Rádio São Carlos 104.1 FM

