Pela primeira vez na história da rede estadual de ensino de Santa Catarina, a Secretaria do Meio Ambiente e da Economia Verde vai integrar oficialmente o ciclo de formação continuada dos professores. A iniciativa começa a ser implementada já no ano letivo de 2026 e representa um avanço significativo na consolidação da política de educação ambiental no Estado.
A proposta prevê uma abordagem estruturada, participativa e alinhada à realidade de cada escola. A realização é da Comissão Interinstitucional de Educação Ambiental de Santa Catarina (CIEA-SC), com apoio da Secretaria do Meio Ambiente e da Economia Verde (SEMAE), por meio da Assessoria de Educação Ambiental (ASSEDAM), em parceria com a Secretaria de Estado da Educação de Santa Catarina (SED).
De acordo com o secretário do Meio Ambiente e da Economia Verde, Cleiton Fossá, a educação ambiental vai além de conteúdos isolados e está diretamente ligada à qualidade de vida. Ele destaca que a política se baseia na ideia de que é preciso conhecer para cuidar e compreender para agir, reforçando a importância do meio ambiente para o presente e para o futuro das próximas gerações.
Formação continuada e metodologias participativas
Neste primeiro semestre, a política começa a ser colocada em prática com a Formação Continuada dos professores da rede estadual. Os docentes receberão uma proposta-base para iniciar as atividades de educação ambiental nas escolas.
Entre as metodologias sugeridas estão a Observação Participativa do Ambiente (OPA), o Mapa Falante ou Cartografia Afetiva e a Árvore dos Sonhos, ferramentas que incentivam o envolvimento dos estudantes com o território onde vivem e estudam.
Ainda no primeiro semestre, será encaminhado às escolas um formulário para levantamento de dados que vão subsidiar um mapeamento do contexto de cada unidade. O objetivo é identificar problemas ambientais, potencialidades e necessidades específicas, orientando as ações a partir do segundo semestre de 2026.
Diagnóstico coletivo e ambiente digital compartilhado
O diagnóstico deverá ser construído de forma articulada, envolvendo estudantes, professores, equipes gestoras, comunidade escolar e grêmios estudantis. A proposta é garantir a escuta de diferentes perspectivas sobre o território e a área de influência da escola.
Com base nas informações coletadas, a CIEA-SC conduzirá a segunda fase do projeto, definindo com maior precisão os conteúdos que serão trabalhados no segundo semestre, incluindo temas como separação de resíduos e cultura oceânica.
Para apoiar as escolas, será criado um ambiente digital compartilhado, reunindo boas práticas, materiais didáticos, conteúdos teóricos e propostas de atividades. O espaço permitirá a troca de experiências e a adaptação das ações conforme a realidade de cada território.
Segundo o assessor de Educação Ambiental da SEMAE, Nei Cunha, a inserção qualificada da educação ambiental na formação dos professores é histórica e, a partir de 2026, sempre que houver formação docente no início do ano letivo e antes do segundo semestre, haverá espaço específico dedicado ao tema.
Educação ambiental integrada
Em Santa Catarina, a educação ambiental é conduzida de forma integrada pela SED, responsável pela educação ambiental formal nas escolas, e pela SEMAE, que atua na educação ambiental não-formal. A articulação das políticas conta com o apoio da CIEA-SC, formada por 28 instituições, entre governamentais e não-governamentais.
Com a nova medida, o Estado dá um passo decisivo para consolidar a educação ambiental como eixo estruturante da formação cidadã, fortalecendo a integração entre escola, comunidade e território na construção de um futuro mais sustentável.
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