Álbum da Copa pode gerar resíduos que levam até 100 anos para se decompor
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Material descartado junto às figurinhas tem baixa reciclabilidade e preocupa especialistas em sustentabilidade

Álbum da Copa do Mundo 2026 da Panini. — Foto: Reprodução/Panini

Completar o tradicional álbum de figurinhas da Copa do Mundo é um hábito que atravessa gerações, mas pouca gente sabe que essa diversão também gera um resíduo de difícil reciclagem. O material em questão é o chamado liner, papel siliconado que protege a parte adesiva das figurinhas antes da colagem.

Embora seja considerado reciclável, o liner possui baixa reciclabilidade. Isso significa que, na prática, seu reaproveitamento depende de processos específicos, caros e ainda pouco disponíveis no Brasil. Como consequência, grande parte desse material acaba sendo descartada em aterros sanitários.

Segundo especialistas, o revestimento de silicone dificulta a decomposição do papel, que pode permanecer no meio ambiente por até 100 anos.

A preocupação ganha dimensão quando se observa o volume de figurinhas comercializadas. Apenas nos primeiros dias de vendas do álbum oficial da Copa do Mundo de 2026, uma plataforma de entregas registrou a comercialização de cerca de 6,7 milhões de pacotes, o equivalente a quase 47 milhões de figurinhas.

Com base nesses números, estima-se que esse volume tenha gerado aproximadamente 11,7 toneladas de papel liner. Até o fim do Mundial, a quantidade tende a ser ainda maior.

O professor e pesquisador de sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGV), Fabrício Stocker, explica que o principal desafio está na estrutura limitada para reciclagem desse tipo de material.

“Na prática, o processo é difícil, custoso e com poucas opções na cadeia. O fim dele, infelizmente, é poluir o meio ambiente”, destaca.

Apesar das dificuldades, especialistas orientam que o material seja descartado no lixo reciclável. Em alguns municípios, cooperativas e centros de triagem conseguem encaminhar o resíduo para empresas especializadas.

Outro ponto debatido é a responsabilidade pelo destino final do material. A legislação brasileira prevê a responsabilidade compartilhada pelos resíduos, mas ainda existem discussões sobre a obrigação dos fabricantes em relação ao liner utilizado nas figurinhas.

Enquanto isso, iniciativas pontuais buscam ampliar a reciclagem desse material, mas o desafio ainda é grande diante da quantidade produzida a cada edição da Copa do Mundo.

Fonte: g1 | Por: Jornalismo Rádio São Carlos 104.1 FM