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Setor leiteiro cobra mudanças permanentes para ampliar competitividade em Santa Catarina

Representantes do setor leiteiro defendem mudanças estruturais para que produtores e indústrias de Santa Catarina possam competir em condições semelhantes às encontradas em estados vizinhos e em outros países do Mercosul.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados de Santa Catarina, o Sindileite-SC, e do Conseleite-SC, Selvino Giesel, destacou que o elevado custo da produção brasileira continua sendo um dos principais desafios da atividade.

Entre os fatores apontados estão as despesas com transporte, a carga tributária sobre máquinas e investimentos e a concorrência com produtos importados da Argentina e do Uruguai.

Segundo Giesel, o transporte do leite até o consumidor custa entre R$ 0,13 e R$ 0,14 por litro no Brasil. Na Argentina, o valor seria de aproximadamente R$ 0,08 por litro, o que amplia a diferença de competitividade entre os mercados.

Diferenças tributárias afetam indústria catarinense

Em Santa Catarina, uma das principais reivindicações está relacionada à política tributária. Conforme levantamentos apresentados pelo Sindileite-SC, as indústrias catarinenses pagariam cerca de R$ 300 milhões a mais em tributos por ano na comparação com empresas instaladas no Paraná e no Rio Grande do Sul.

O setor estima que, caso houvesse igualdade nas regras tributárias, as indústrias poderiam repassar aproximadamente R$ 0,05 a mais por litro aos produtores de leite do estado.

Medidas temporárias adotadas pelo Governo de Santa Catarina contribuíram para amenizar parte das dificuldades, mas as lideranças defendem a criação de uma legislação permanente, evitando que a atividade dependa de programas com prazo determinado.

Linhas de financiamento, como o Pronampe Leite, também são consideradas importantes para apoiar investimentos e reduzir os custos financeiros. No entanto, representantes da cadeia produtiva avaliam que esses recursos não substituem uma política definitiva de competitividade.

Importações preocupam produtores e indústrias

Outro ponto de atenção é a entrada de leite e derivados provenientes de países vizinhos. O setor questiona os preços praticados por empresas argentinas e uruguaias no mercado brasileiro.

De acordo com estudos citados pela cadeia produtiva, alguns produtos chegam ao Brasil por valores inferiores aos cobrados nos próprios países de origem. A situação é considerada prejudicial às indústrias nacionais e aos produtores rurais brasileiros.

Apesar das dificuldades atuais, a avaliação é de que a produção brasileira poderá se tornar mais competitiva nos próximos anos, principalmente com o aumento da escala, a modernização das propriedades e a profissionalização da atividade.

El Niño pode aumentar custos nas propriedades

As condições climáticas também preocupam os produtores. Após aproximadamente três anos marcados por períodos de estiagem, o setor acompanha a possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño, que pode provocar excesso de chuvas na região Sul.

O grande volume de precipitações pode comprometer o desenvolvimento das pastagens e obrigar os produtores a ampliar a compra de ração para alimentar o rebanho, elevando novamente os custos de produção.

Além do clima, a qualidade do fornecimento de energia elétrica e as condições das estradas rurais são apontadas como problemas que afetam diretamente a produção, a conservação do leite e o transporte até as indústrias.

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