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Quase metade dos brasileiros evita acompanhar notícias

O hábito de acompanhar notícias tem perdido espaço entre os brasileiros. Um levantamento divulgado pelo Reuters Institute aponta que 47% da população evita consumir notícias, índice que representa aumento de seis pontos percentuais em relação ao ano anterior, quando a taxa era de 41%.

Os dados fazem parte do Relatório de Mídia Digital 2024, que analisou o comportamento de consumidores de notícias em 47 países. Segundo o estudo, a tendência de afastamento do noticiário está relacionada, principalmente, ao excesso de temas considerados pesados, como crises políticas, conflitos internacionais e guerras.

De acordo com o pesquisador Rodrigo Carro, responsável pelo capítulo brasileiro do relatório, a cobertura dos desdobramentos dos atos de 8 de janeiro, além das guerras no Oriente Médio e na Ucrânia, contribuiu para um cenário de saturação informativa entre os brasileiros.

Apesar da redução no interesse pelo noticiário, as redes sociais seguem como a principal fonte de informação no país. Cerca de 51% dos entrevistados afirmaram utilizar plataformas como WhatsApp e Instagram para acompanhar notícias. O percentual, no entanto, é menor que o registrado em 2023, quando chegou a 57%. A televisão aparece logo atrás, com 50% de preferência entre os entrevistados.

Entre as plataformas digitais mais utilizadas para consumo de notícias, WhatsApp e YouTube lideram, com 38% cada. Na sequência aparecem Instagram, com 36%, Facebook, com 29%, TikTok, com 14%, e X, antigo Twitter, com 9%.

O levantamento também trouxe um dado positivo para o cenário nacional. O Brasil foi apontado como o país com o maior índice de confiança nas notícias entre os seis países latino-americanos avaliados, mantendo taxa de 43%, a mesma registrada no ano anterior.

A pesquisa ouviu 94.943 pessoas em 47 países entre o fim de janeiro e o início de fevereiro de 2024. No Brasil, participaram 2.022 entrevistados.

O resultado reforça o desafio dos veículos de comunicação em informar com responsabilidade, clareza e equilíbrio, especialmente em um cenário em que parte do público tem buscado se afastar do excesso de conteúdos negativos.

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