Hábitos saudáveis podem reduzir risco de morte por câncer
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Pesquisa internacional mostra que cuidar da saúde cardiovascular influencia não só na prevenção, mas também na sobrevivência após o diagnóstico

Manter hábitos saudáveis ao longo da vida pode fazer diferença não apenas na prevenção, mas também no desfecho do câncer. É o que aponta um estudo publicado em março de 2026 no periódico European Heart Journal.

A pesquisa analisou dados do estudo Moli-sani, que acompanhou mais de 24 mil pessoas por cerca de 15 anos. Entre os participantes, 779 já haviam sido diagnosticados com câncer.

Os resultados mostram que indivíduos com melhor saúde cardiovascular apresentaram um risco até 38% menor de morte por qualquer causa, em comparação com aqueles com piores indicadores.

Para avaliar a saúde do coração, os pesquisadores utilizaram o índice Life’s Simple 7, que considera sete fatores principais: não fumar, praticar atividade física, manter uma alimentação equilibrada, controlar o peso, ter pressão arterial adequada, manter o colesterol sob controle e regular os níveis de glicose no sangue.

Segundo o estudo, cada ponto a mais nessa escala já está associado a uma redução no risco de morte, inclusive entre pessoas que já enfrentaram o câncer.

De acordo com especialistas, esses hábitos atuam em duas frentes: ajudam a diminuir o risco de desenvolver a doença ao longo da vida e, mesmo após o diagnóstico, aumentam as chances de sobrevivência.

A explicação também envolve fatores biológicos. Câncer e doenças cardiovasculares compartilham mecanismos em comum, como a inflamação crônica — um processo que pode danificar vasos sanguíneos e favorecer o desenvolvimento de tumores.

Além disso, a pesquisa identificou que fatores como marcadores inflamatórios, frequência cardíaca e níveis de vitamina D estão ligados a mais de 50% da relação entre bons hábitos e menor risco de morte.

Outro ponto destacado é que não existe um único fator responsável pelos benefícios. O impacto positivo está no conjunto de hábitos e no equilíbrio geral do organismo.

A análise também mostrou que uma alimentação baseada no padrão mediterrâneo — rica em frutas, vegetais, peixes e azeite — pode ampliar ainda mais esses efeitos, reduzindo o risco de morte por diversas causas.

Os resultados reforçam um conceito cada vez mais presente na medicina: a conexão entre doenças cardiovasculares e câncer. Essa integração dá origem à chamada cardio-oncologia, área que propõe um cuidado conjunto, desde a prevenção até o acompanhamento de pacientes diagnosticados.