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Estimativas da Epagri/Cepa apontam crescimento na produção de grãos em Santa Catarina, mas previsão de chuva acima da média exige atenção dos agricultores ao longo do ciclo

Foto: Guillaume Boulanger/Pexels/ND Mais

A safra de verão 2026/2027 começa com expectativa de aumento na produção de soja e milho em Santa Catarina. Apesar das projeções positivas, os agricultores devem acompanhar de perto as condições climáticas nos próximos meses. A influência do El Niño, com previsão de intensidade muito forte durante a primavera e o início do verão, pode trazer volumes de chuva acima da média e afetar o desenvolvimento das lavouras.

No Oeste catarinense, uma das principais regiões agrícolas do Estado, o cenário exige planejamento. Embora os levantamentos iniciais indiquem avanço na produção de algumas culturas, o excesso de umidade pode dificultar o plantio, o manejo e outras operações no campo.

As estimativas foram divulgadas pela Epagri/Cepa, que acompanha o desempenho das principais atividades agrícolas catarinenses.

Chuva acima da média exige atenção no campo

De acordo com a Epagri/Ciram, outubro e novembro podem registrar acumulados de chuva superiores à média histórica. A condição aumenta a preocupação dos produtores, principalmente em períodos importantes para o estabelecimento e o desenvolvimento das lavouras.

O excesso de umidade pode reduzir as janelas de trabalho no campo, favorecer o surgimento de doenças e dificultar o manejo das plantações. Também é necessário redobrar os cuidados com o solo para evitar erosão e perdas de nutrientes.

O analista de socioeconomia e desenvolvimento rural da Epagri/Cepa, Henrique Oldoni, destaca a importância do planejamento durante todo o ciclo produtivo. A escolha das culturas e das cultivares, a definição das datas de plantio e os tratos culturais estão entre os fatores que podem ajudar os agricultores a enfrentar as condições previstas.

Milho deve ampliar área plantada em Santa Catarina

A primeira safra de milho deve ocupar 272.194 hectares em Santa Catarina, um aumento de 2,5% em comparação com o ciclo anterior. A produção está estimada em 2,59 milhões de toneladas, crescimento de 1,7%.

A produtividade média prevista é de 9.517 quilos por hectare.

Entre as regiões com participação expressiva no cultivo estão Chapecó, responsável por 14,9% da área estadual estimada, e Xanxerê, com 9,6%. A microrregião de Joaçaba concentra a maior parcela, com 18,8%.

O plantio também apresenta avanço. No período em que os dados foram levantados, aproximadamente 45% da área prevista já havia sido semeada. Os trabalhos foram favorecidos por intervalos de tempo firme registrados entre agosto e setembro.

Produção de milho-silagem também ganha espaço no Oeste

A área destinada ao milho para silagem deve crescer 1,5% no Estado, chegando a 212.016 hectares. A produção estimada é de 9,96 milhões de toneladas, embora a produtividade média tenha previsão de queda de 1%.

Chapecó lidera entre as microrregiões catarinenses, concentrando 21,3% da área projetada. Na sequência aparecem São Miguel do Oeste, com 19%, e Concórdia, com 12,8%.

A expansão está relacionada, em parte, à demanda dos produtores de leite, que utilizam a silagem na alimentação dos animais.

O avanço do calendário agrícola também chama a atenção: cerca de 61% da área estimada para a cultura já havia sido plantada no momento da coleta das informações.

Soja pode registrar aumento na produção mesmo com área menor

Para a soja, a projeção inicial aponta uma área plantada de 756.403 hectares, redução de 0,3% em relação à safra anterior. Em contrapartida, a produtividade média deve aumentar 2,4%, alcançando 3.941 quilos por hectare.

Com esse rendimento, a produção catarinense pode chegar a 2,98 milhões de toneladas, alta de 2,1% na comparação com o ciclo anterior.

No Oeste e no Meio-Oeste, Xanxerê responde por 17,4% da área estadual estimada, enquanto Curitibanos representa 17,2%. A maior participação é da microrregião de Canoinhas, com 22%.

A redução na área prevista reflete a cautela dos agricultores diante dos riscos climáticos esperados para o período. Mesmo com a perspectiva de maior produtividade, o resultado dependerá das condições encontradas pelas lavouras durante o desenvolvimento da cultura.

Projeções podem mudar ao longo da safra

Os números divulgados pela Epagri/Cepa são estimativas iniciais e poderão ser atualizados conforme o avanço do ciclo agrícola e a evolução das condições meteorológicas.

Para elaborar as projeções, a instituição reúne informações de produtores rurais, extensionistas, cooperativas, prefeituras, sindicatos, bancos e outras entidades ligadas ao setor.

Nos próximos meses, o comportamento do clima será um dos principais fatores para confirmar as expectativas de produção em Santa Catarina. No Oeste, onde soja e milho têm participação importante na atividade agrícola, o desafio será conciliar as perspectivas de bons resultados com os cuidados necessários diante da previsão de chuvas acima da média.

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