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Brasil se aproxima dos EUA e ganha espaço no mercado mundial do agronegócio

O Brasil está cada vez mais próximo de superar os Estados Unidos nas exportações agropecuárias, impulsionado pelo crescimento das vendas externas e pela conquista de novos mercados. Em cinco anos, as exportações brasileiras do setor aumentaram 68%, passando a R$169 bilhões, enquanto as norte-americanas cresceram 14%, chegando a R$171 bilhões no ano passado.

O desempenho coloca os dois países em uma disputa cada vez mais equilibrada pelo protagonismo no comércio mundial do agronegócio. A expectativa é de que, em 2026, Brasil e Estados Unidos registrem valores próximos, em torno de R$170 bilhões em exportações agropecuárias.

Entre janeiro e julho deste ano, o Brasil já acumulou R$103 bilhões em vendas externas do setor, com média mensal de R$14,7 bilhões. Nos Estados Unidos, a média mensal registrada foi de aproximadamente R$15 bilhões.

Um dos fatores que contribuem para a perda de espaço dos norte-americanos é a dificuldade de ampliar a produção. Com a área agrícola praticamente consolidada, os Estados Unidos possuem menos espaço para expandir as lavouras. Na pecuária, o país enfrenta ainda um dos menores rebanhos bovinos das últimas sete décadas, o que limita a capacidade de aumentar as exportações de carne.

A política comercial adotada pelo presidente Donald Trump também tem influenciado o desempenho norte-americano. O enfrentamento com importantes parceiros comerciais, especialmente a China, contribuiu para a redução das exportações dos Estados Unidos para mercados estratégicos.

Na Ásia, entre 2022 e 2025, as exportações norte-americanas recuaram 25%, enquanto as brasileiras cresceram 9%. Para a China, as vendas dos Estados Unidos caíram 49% em 2025 na comparação com cinco anos antes. No mesmo período, as exportações brasileiras para o país asiático aumentaram 8%.

O Brasil também vem ampliando a presença no mercado de carnes, principalmente na Ásia. O aumento da renda das famílias em países em desenvolvimento e a maior facilidade no fluxo comercial favoreceram o avanço da proteína animal brasileira na região.

Além da Ásia, os produtos brasileiros ganharam espaço na América do Norte. Nos últimos cinco anos, as exportações do Brasil para os países da região cresceram 11%, impulsionadas principalmente pela demanda norte-americana por carne bovina. Os Estados Unidos, que durante anos estiveram entre os principais produtores mundiais da proteína, passaram a depender mais das importações.

Enquanto isso, os americanos ainda mantêm força no mercado internacional de milho, mas perderam espaço na soja, produto que durante anos esteve entre os principais responsáveis pelas receitas do agronegócio norte-americano.

Apesar das dificuldades, os Estados Unidos registraram crescimento de 12% nas exportações para a União Europeia no primeiro semestre deste ano, após um período de estabilidade. Já o comércio com México e Canadá, favorecido pelo acordo (Usmca), apresentou avanço de apenas 2% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado.

O cenário reforça a mudança no equilíbrio do comércio agrícola mundial. Com crescimento das vendas para diferentes regiões e avanço em segmentos como carnes e grãos, o Brasil se aproxima dos Estados Unidos e consolida sua posição entre os principais fornecedores de produtos agropecuários do mundo.

 

Fonte: Oeste Mais

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