A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) debateu nesta segunda-feira, 30 de março, os impactos do uso excessivo de tecnologia na infância e adolescência, em um encontro que reuniu especialistas, autoridades e representantes da sociedade civil para tratar dos reflexos do excesso de telas na saúde mental e no desenvolvimento infantil. O evento teve como tema “Entre telas e a realidade: infância, saúde mental e uso consciente da tecnologia”.
Promovido pela Comissão de Economia, Ciência, Tecnologia e Inovação, em parceria com o movimento Mulheres que Fazem Floripa, o debate apontou prejuízos no desenvolvimento cognitivo, na capacidade de concentração e também na construção de vínculos sociais. Segundo os participantes, o consumo frequente de conteúdos de estímulo imediato, como vídeos curtos e jogos rápidos, pode reduzir a tolerância à frustração e dificultar o envolvimento das crianças em atividades que exigem mais atenção, como leitura e estudo.
Durante o encontro, a secretária-geral da Alesc, Marlene Fengler, lembrou que o tema vem ganhando espaço nos últimos anos, mas ainda exige atenção permanente. Ela é autora da Lei nº 17.785/2019, que institui em Santa Catarina a Semana de Conscientização sobre a Dependência Tecnológica.
Outro ponto que chamou a atenção foram os dados apresentados no debate. Conforme as informações divulgadas, 78% das crianças de zero a três anos já utilizam dispositivos digitais diariamente. Entre crianças de quatro a seis anos, esse índice chega a 94%, cenário que amplia o alerta para os efeitos do contato precoce e contínuo com o ambiente digital. O encontro também destacou riscos como conteúdos inadequados, cyberbullying e aliciamento online.
Especialista em crimes cibernéticos, o policial civil Elias Edenis defendeu vigilância ativa por parte das famílias e reforçou a importância do acompanhamento dos pais em relação às plataformas utilizadas pelos filhos, além do uso de ferramentas de controle parental. Já a psicopedagoga Márcia Fiates destacou impactos diretos no aprendizado, apontando que o excesso de estímulos rápidos pode comprometer a concentração e o raciocínio.
No campo legal, o debate também abordou a entrada em vigor do ECA Digital, em março de 2026, com regras voltadas à proteção de menores no ambiente online. A legislação prevê verificação de idade, restrições à publicidade predatória e a obrigatoriedade de ferramentas de controle parental em plataformas digitais. Além disso, parlamentares citaram avanços em Santa Catarina, como a Lei nº 18.182/2021, sobre educação digital nas escolas, e a Lei nº 19.472/2025, que atualiza diretrizes sobre o uso consciente da tecnologia.
O debate na Alesc reforçou a necessidade de ações conjuntas entre poder público, escolas e famílias para criar um ambiente digital mais seguro e equilibrado para crianças e adolescentes. O tema ganha cada vez mais relevância diante do avanço da tecnologia no cotidiano e dos desafios que surgem junto com ela.

