
O açúcar não está relacionado apenas ao sabor dos alimentos. Quando consumimos produtos muito açucarados, também ocorre uma resposta no cérebro que está ligada à sensação de prazer e recompensa.
Isso acontece porque o consumo de alimentos altamente palatáveis pode ativar o sistema de recompensa cerebral, favorecendo a liberação de dopamina, um neurotransmissor envolvido na motivação e na sensação de recompensa. Com isso, o cérebro pode associar determinado alimento a uma experiência prazerosa e aumentar a vontade de consumi-lo novamente.
O problema está no excesso
O consumo ocasional de doces não significa, por si só, que haverá prejuízo à saúde. A preocupação está principalmente no consumo frequente e excessivo, especialmente de alimentos ultraprocessados.
Esses produtos geralmente combinam grandes quantidades de açúcar, gordura, sal e outros ingredientes, além de apresentarem alta palatabilidade, o que pode favorecer o consumo em excesso.
Um estudo que reuniu e analisou 41 pesquisas encontrou uma forte associação entre o consumo de alimentos ultraprocessados e episódios de compulsão alimentar. Aproximadamente 70% dos alimentos consumidos durante esses episódios eram ultraprocessados.
Açúcar não é uma “droga”
Apesar da relação entre açúcar, dopamina e sistema de recompensa, é importante evitar comparações simplistas. O açúcar não deve ser considerado uma “droga” no mesmo sentido que substâncias químicas de abuso.
O comportamento alimentar é influenciado por diversos fatores, incluindo hábitos, emoções, ambiente, disponibilidade de alimentos e características individuais.
Moderação é a melhor estratégia
A recomendação é buscar equilíbrio e variedade na alimentação, priorizando alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, grãos e proteínas.
Reduzir o consumo frequente de produtos ultraprocessados e alimentos com grande quantidade de açúcar pode contribuir para uma alimentação mais saudável.
Cuidar da alimentação também é uma forma de cuidar do cérebro e da saúde como um todo.

